FORMAS DA MEMÓRIA E CONFIGURAÇÃO DE LUGARES-VAZIOS NA FICÇÃO AUTOBIOGRÁFICA E NA AUTOBIOGRAFIA DE JOSÉ LINS DO REGO

Edson Ribeiro da Silva (UNIANDRADE)

Resumo


RESUMO: Conforme Ricoeur, a filosofia platônica estabelece duas grandes formas de rememoração: a eicástica corresponde à cópia das imagens, conforme foram gravadas passivamente na memória; a fantástica corresponde ao simulacro, à criação de uma nova realidade a partir de tais imagens. A escrita do eu, no amplo sentido dado por Lejeune, faz uso da memória, seja para copiar os dados lá gravados, como na autobiografia, seja para modificá-los de modo intencional, como na ficção autobiográfica. Para os teóricos da literatura herdeiros da tradição fenomenológica, como Ingarden e Iser, o texto não consegue conter todas as informações, sobretudo as imagens necessárias à sua apreensão, o que faz com que ele se componha de indeterminações e lugares-vazios, a serem preenchidos no ato da recepção, pelo leitor. Iser vê na configuração desses lugares-vazios, pelo escritor, a possibilidade de obtenção do efeito estético. José Lins do Rego é um exemplo notório de escrita do eu, que fez da memória a fonte para inúmeras obras, como o romance Menino de engenho e a autobiografia Meus verdes anos. Encontram-se nelas exemplos de utilização das duas possibilidades de memória e de configuração dos lugares-vazios, objetivando modos diversos de recepção pelo leitor e chegando a efeitos estéticos diversos.

 


Referências


Referências bibliográficas

BORDINI, Maria. da G. Fenomenologia e teoria literária. São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo, 1990.

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