Euclides da Cunha: o equilibrista das Letras

Hélder Brinate Castro (UFRJ)

Resumo


A obra de Euclides da Cunha, apesar de ofuscada pela grandiosidade de Os sertões (1902), revela que o vasto conhecimento sociológico, geológico, filosófico, jornalístico, artístico e literário do autor não se limitou às páginas dedicadas à Guerra de Canudos. Nos ensaios publicados aos finais do século XIX e aos princípios do XX, Cunha delibera sobre assuntos distintos, mobilizando dicções ideológicas diversas e abordagens de variadas disciplinas para perquirir aspectos da realidade humana e invocar análise crítica dos problemas identificados. Como Os sertões, tais escritos evidenciam a acuidade estético-literária do engenheiro que, ao consorciar ciência, crítica e imaginação literária, interpela seus leitores a reexaminarem premissas nacionais a partir da natureza híbrida e inquietante do ensaio. Partindo de uma reflexão sobre a estrutura da prosa ensaística, o presente artigo propõe uma análise do estilo ensaístico de Euclides da Cunha em sua obra prima e em quatro ensaios publicados na imprensa periódica entre 1890 e 1904.


Palavras-chave


Literatura brasileira; Ensaio; Os sertões; Contrastes e confrontos

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