NOTAS SOBRE O PORTUGUÊS FALADO EM LUANDA: UM ESTUDO SOBRE SÓCIO-HISTÓRIA E CRENÇAS LINGUÍSTICAS

Manoel Crispiniano Alves da Silva (UEFS), Marcus Garcia de Sene (UNESP), Silvana Silva de Faria Araújo (UEFS)

Resumo


Na compreensão de questões sociolinguísticas relacionadas às diferenças de “poder” existentes entre grupos sociais distintos, a sócio-história e as crenças linguísticas são um importante ponto de partida. Nesse sentido, a partir do corpus do projeto “Em busca das raízes do português brasileiro”, este trabalho busca socializar aspectos do português falado em Luanda, mais especificamente sobre as crenças linguísticas e a sócio-história nessa comunidade de fala. O estudo contrastou crenças dos falantes das normas popular e culta de Luanda. Para isso, das 24 entrevistas que compõem o banco de dados do referido projeto, 17 foram selecionadas e analisadas a partir das respostas dadas pelos informantes a três questões feitas pelo documentador, as quais possibilitaram verificar as crenças linguísticas dos informantes. Foi possível verificar ainda que as vertentes do português falado naquela cidade diferenciam-se substancialmente, em especial porque a comunidade pertencente à norma culta passou um longo período de imposição linguística que perpassou os espaços sociais e adentrou no ambiente escolar. Assim sendo, concluímos que o português é ainda visto como a língua que representa o prestígio social e que pode atribuir um lugar mais elevado na escala social, mesmo em um país com uma realidade multilíngue, como é o caso de Angola.

PALAVRAS-CHAVE: Português angolano. Sócio-história. Crenças linguísticas.

 


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