A FORMAÇÃO MASCULINA EM SEIS VEZES LUCAS, DE LYGIA BOJUNGA

Luiz Gustavo Osório Xavier (UFG)

Resumo


O objetivo deste artigo é analisar o romance Seis vezes Lucas, de Lygia Bojunga, observando como a formação masculina do protagonista é representada. Inicialmente, foi feita uma introdução acerca de questões históricas e teóricas da literatura infantil e juvenil com o apoio dos trabalhos de Colomer (2017), Cruvinel (2013) e Perrotti (1986). Depois, a fim de tratar do conceito de Bildungsroman, discutiu-se o romance precursor do gênero, Os anos de aprendizado de Wilhelm Meister, de Goethe, com o auxílio de textos de Citati (1996), Maas (2000) e Mazzari (2017). Em seguida, para relacionar o Bildungsroman com a formação da masculinidade, foram utilizadas publicações de Mosse (1998) e Nobbs (2007). Após as considerações teóricas, realizou-se a análise do romance de Lygia Bojunga, tendo como suporte os apontamentos de Ceccantini (2000) sobre esta narrativa e o estudo de Welzer-Lang (2001) sobre questões referentes à masculinidade. A partir da análise do romance, fica evidente como a opressão que o protagonista enfrenta não está ligada somente ao domínio dos adultos, mas também às regras de gênero que são impostas pelo Pai, figura opressora que impede o protagonista de realizar ações que o ajudariam a aliviar seus temores, do mesmo modo como a masculinidade usualmente opera na socialização masculina. Ao final da narrativa, contudo, Lucas se torna menos ingênuo, compreende melhor o funcionamento do mundo e comportamento dos adultos, desafia-os, assume sua voz e se impõe, o que demonstra o amadurecimento do personagem e permite a associação da obra com o Bildungsroman.


Referências


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