O aspecto imperfectivo contínuo no presente e suas realizações morfológicas no francês parisiense

Sabrina Gomes da Silva Moreira, Adriana Leitão Martins

Resumo


De maneira geral, este estudo busca contribuir para a investigação acerca das realizações do aspecto imperfectivo contínuo nas línguas naturais. O objetivo específico deste artigo é investigar a realização morfológica do imperfectivo contínuo associado ao presente no francês parisiense, considerando-se os diferentes tipos de verbo. A hipótese é a de que essa realização é feita exclusivamente pela morfologia não progressiva – o presente simples. A análise de um corpus de fala espontânea revelou que, de 1413 realizações do imperfectivo contínuo no presente, duas foram com a morfologia progressiva être en train de + infinitivo –, ambas com verbos de atividade. Logo, a hipótese foi refutada. Discutimos que a baixa incidência da morfologia progressiva no francês pode ser motivada pelo seu grau de gramaticalização.


Referências


BRUCHARD, D. O presente do indicativo no francês e no português — Contribuição para um estudo de análise contrastiva. Revista Fragmentos, Florianópolis,v. 2, n. 2, p. 106-131., 1989.

COMRIE, B. Aspect: an introduction to the study of verbal aspect and related problems. Cambridge: Cambridge UniversityPress, 1976.

DESCLÉS, J. Archétypes cognitifs et types de procès. Travaux de Linguistique et de Philologie, v. 29, p. 171-195, 1991.

DO-HURINVILLE, D.. Etude sémantique et syntaxique de être en train de. L'Information grammaticale, n. 113, p. 32-39, 2007.. Disponível em : . Acesso em 22 set. 2018.

DUARTE, M. Do pronome nulo ao pronome pleno: a trajetória do sujeito no português do Brasil. Português brasileiro: uma viagem diacrônica. Campinas: UNICAMP, p. 107-128, 1993.

NAVAKOVA, I. Fonctionnement comparé de l'aspect verbal en français et en bulgare. Revue des études slaves, Paris, v. 73, n.1, p. 7-23, 2001.

NESPOLI, J. Representação mental do perfect e suas realizações nas línguas românicas: um estudo comparativo. 2018. 178f. Tese (Doutorado em Linguística) – Faculdade de Letras, Centro de Letras e Artes da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2018.

MARTINS, A. Conhecimento linguístico de aspecto no português do Brasil. 2006. 229f. Dissertação (Mestrado em Linguística) – Faculdade de Letras, Centro de Letras e Artes da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2006.

GREVISSE, M. Le bon usage. 7. ed. Paris: Duculot, 1959.

HEINE, B. On the role of context in grammaticalization. Typological studies in language, v. 49, p. 83-102, 2002.

KRAGH, K.; SCHØSLER, L. Regrammation and paradigmatization: Diachronic analysis of a number of progressive periphrases in French. Journal of French Language Studies, v. 25, n. 2, p. 265-293, 2015.

POISSON-QUINTON, S., MIMRAN., R., COADIC., M. Grammaire expliquée du français, Paris, Clé International, 2002.

PROVÔT, A.; DESCLÉS, J.; VINZERICH, A. Invariant sémantique du présent de l'indicatif en français. Cahiers Chronos, v. 21, p. 235-259, 2010.

ROSOFF, B; FLEURY S.; LE FREUVE F; PIRES M. Discours sur la ville. Présentation du Corpus de Français Parlé Parisien des années 2000 (CFPP2000), 2012. Disponível em: . Acesso em: 11 ago. 2016.

SMITH, C. The Parameter of Aspect. Kluwer: Dordrecht, 1991.

VENDLER, Z. Verbs and times. In: ______. (Ed.). Linguistics in Philosophy. Ithaca: Cornell University Press, 1967. p. 97-121.

VERKUYL, H.J. Aspectual classes and aspectual composition. Linguistics and philosophy, v. 12, n. 1, p. 39-94, 1989.


Texto completo: PDF

Apontamentos

  • Não há apontamentos.


Licença Creative Commons
Este trabalho está licenciado sob uma Licença Creative Commons Attribution 3.0 .

QUALIS/CAPES - quadriênio 2013-2016B2 - ÁREA DE LINGUÍSTICA E LITERATURA

 

Indexadores de Base de Dados (IBDs) 
Bases de periódicos com texto completo: