Movidas pelo desejo: o desfecho trágico em madame Bovary e o final feliz em O temporal, de Kate Chopin

Rosemary Elza Finatti

Resumo


O presente artigo tece comparações entre as obras Madame Bovary (1857), de Gustave Flaubert e O temporal (1898), de Kate Chopin, em relação à busca da autorrealização feminina por meio do adultério e os caminhos a que essa busca conduz cada uma das heroínas no desfecho das narrativas: punição e prazer, respectivamente. Para tanto, a análise será norteada pelos pressupostos teóricos apontados por Maria Rita Kehl a respeito da obra-prima flaubertiana, pela abordagem de Sandra Gilbert e Susan Gubar sobre a divergência entre a tradição literária masculina e a autoria feminina, além das considerações de Aparecido Donizete Rossi acerca do conto chopiniano objeto deste estudo. Considerando a autoria das duas obras analisadas, a protagonista de Flaubert busca o amor fantasioso dos romances que lia e, dessa forma, ultrapassa todos os limites socialmente proibidos e repreensíveis acerca dos valores morais atribuídos às mulheres. Ao buscar a vida de prazeres que não encontrou no casamento, Emma sofre consequências trágicas. Em contrapartida, Kate Chopin assegura um final feliz à Calixta e não a recrimina por realizar seus desejos em uma relação extraconjugal, rompendo as barreiras patriarcais bem como a condição feminina na ficção.


Referências


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