A ideia de transcendência vazia: notas para uma tentativa de historicização

Clarisse Lyra

Resumo


O presente trabalho se propõe a discutir as noções de “transcendência vazia” encontradas na teoria literária. Em 1956, Hugo Friedrich usou o termo para denominar uma das características do que ele chamou de Estrutura da lírica moderna. O alemão detectou, a partir de Baudelaire, o desconcerto da modernidade: ela “está atormentada até a neurose pelo impulso de fugir do real, mas se sente impotente para crer ou criar uma transcendência de conteúdo definido, dotada de sentido”. Luiz Costa Lima, em estudo de 1980, determinou que essa categoria pressupõe um ataque simultâneo a uma ordem ético-religiosa e a uma frente estética. Octavio Paz, em 1982 (ainda que sem usar o termo aqui mencionado), viu no paradoxo que constitui o núcleo do Primero sueño de Sor Juana – “a revelação da não-revelação” – o eixo ao redor do qual giraria a poesia moderna. E na Teoria do romance de Lukács, de 1916, encontra-se a expressão “desabrigo transcendental”, definidora, segundo ele, da condição de surgimento e configuração do romance moderno. Tal investigação, para além de rastrear as modulações dessa possível categoria interpretativa, objetiva criar um mapa que permita a posterior consideração do tipo de transcendência que subsiste ou que se criou na literatura contemporânea.

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QUALIS/CAPES - quadriênio 2013-2016B2 - ÁREA DE LINGUÍSTICA E LITERATURA

 

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