COMO AS CRIANÇAS BRASILEIRAS ADQUIREM A EXPRESSÃO DE FUTURIDADE: UM ESTUDO SINTÁTICO

Paulo Ângelo Araújo-Adriano (UNICAMP)

Resumo


Em uma abordagem da gramática gerativa, este artigo investiga como as crianças brasileiras adquirem a expressão de futuridade. Objetiva-se a identificar se, primeiramente, as crianças adquirem a forma sintética para o futuro ou a perífrase equivalente, ‘ir’ + infinitivo. Uma vez que a forma sintética para futuridade não é mais produtiva no PB, a hipótese inicial é a de que as crianças não produzem a forma sintética para futuro e, primeiramente, adquire a forma perifrástica veiculando Aspecto Prospectivo, para depois adquirirem a mesma estrutura perifrástica veiculando Modo Irrealis. Os dados selecionados são baseados em um estudo longitudinal de 3 crianças brasileiras (C1, C2 e C3), monolíngues, por um período de 01;08 e 03;07. Os resultados mostram que as três crianças não produziram a forma sintética; produziram ‘ir’ + infinitivo veiculando Aspecto Prospectivo quando tinham 01;08. A estrutura com valor irrealissó apareceu quando estavam com 02;01. Esses resultados sugerem que, uma vez que não há evidência positiva para a estrutura sintética, as crianças não adquirem-na naturalmente. Além disso, este estudo advoga em favor não só da hipótese maturacional, mas também para a hipótese continuísta para aquisição.


Referências


Araújo, Thais da Silveira Neves. 2015. “Aquisição de aspecto no português brasileiro.” Dissertação (Mestrado em linguística), Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

Biberauer, Theresa e Roberts, Ian. 2010. “Subjects, tense and verb-movement”. In Parametric Variation: Null subjects in Minimalist Theory, edited by Theresa Biberauer, Anders Holmberg, Ian Roberts and Michelle Sheehan, 263-302. Cambridge: Cambridge University Press.

Boland, Johanna Hendrika. 2006. Aspect, tense and modality: theory, typology, acquisition. PhD diss., University of Amsterdam.

Brito, Ana Maria. 2001. “Clause structure, subject positions and verb movement. About the position of sempre in European Portuguese and Brazilian Portuguese.” In Romance Languages and Linguistic Theory 1999, edited by Yves D’Hulst, Johan Rooryck and Jan Schroten, 63-85. Amsterdam: John Benjamins.

Brown, Roger e Bellugi, Ursula 1964. “Three process in the child’s acquisition of syntax”. Harvard educational review (34): 133-151.

Chomsky, Noam. 1957. Syntactic Structures. The Hague: Mouton.

Chomsky, Noam. 1981. Lectures on Government and Binding. Dordrecht: Foris.

Chomsky, Noam. 1986. Knowledge of Language: Its Nature, Origin and Use. New York: Praeger.

Chomsky, Noam. 1995. The minimalist program. Cambridge, MA: The MIT Press.

Cinque, Guglielmo. 1999. Adverbs and Functional Heads: a cross-linguistic perspective. New York: Oxford University Press.

Clahsen, Harald, Eisenbeiss, Sonja e Penke, Martina. 1994. “Underspecified phrase-structure positions and lexical learning in early child grammars”. Paper presented at the Workshop on generative Studies of the Acquisition of Case and Agreement, University of Essex, Colchester, United Kingdom.

Clahsen, Harald. 1996. Generative Perspectives on Language Acquisition: Empirical findings, theoretical considerations and crosslinguistic comparisons. Amsterdam and Philadelphia: John Benjamins.

Comrie, Bernard. 1976. Aspects: An introduction to the study of verbal aspect and related problems. Cambridge: Cambridge University Press.

Cyrino, Sonia. 2013. “On richness of tense and verb movement in Brazilian Portuguese”. In Information Structure and Agreement, 297-318. Amsterdam: John Benjamins.

Elliott, Jennifer. 2000. “Realis and Irrealis: Forms and concepts of the grammaticalization of reality”. Linguistic Typology 3 (4): 55-90.

Hornstein, Norbert. 1990. As Time Goes By: Tense and Universal Grammar. Cambridge, MA: The MIT Press.

Meisel, Jürgen. 1994. Bilingual first language acquisition. Philadelphia: John Benjamins,

Neves, Thais da Silveira. 2011. “A aquisição do aspecto progressivo no português do Brasil.” Trabalho apresentado no XXXIII Jornada de Iniciação Científica, Artística e Cultural da UFRJ, Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, Brazil.

Radford, Andrew. 1990. Syntactic theory and the acquisition of English syntax: the nature of early child grammars of English. Oxford: Blackwell.

Radford, Andrew. 1995. “Phrase Structure and Functional Categories”. In The handbook of Child Language, edited by Paul Fletcher and Brian McWhinney , 483-507. Oxford: Blackwell.

Reichenbach, Hans. 1947. Elements of Symbolic Logic. New York: Free Press.

Reintges, Chris e Cyrino, Sonia. 2018. “Analyticization and the syntax of synthetic residue: A macrocomparative perspective.” In Word Order Change, 179-201. Oxford: Oxford University Press.

Roberts, John. 1990. “Modality in Amele and other Papuan languages.” Journal of Linguistics 26 (2): 363-401.

Schmitt, Cristina. 2001. “Cross-linguistic variation and the present perfect: the case of Portuguese”. Natural Language and Linguistic Theory 19 (2): 403-453.

Wurmbrand, Susi. 2014. “Tense and Aspect in English Infinitives.” Linguistic Inquiry 45 (3) 403-447.


Texto completo: PDF

Apontamentos

  • Não há apontamentos.


Licença Creative Commons
Este trabalho está licenciado sob uma Licença Creative Commons Attribution 3.0 .

QUALIS/CAPES - quadriênio 2013-2016B2 - ÁREA DE LINGUÍSTICA E LITERATURA

 

Indexadores de Base de Dados (IBDs) 
Bases de periódicos com texto completo: